Mutts, os vira-latas

quarta-feira, 24 \24\UTC junho \24\UTC 2009

Junho e julho são dois meses de muitas comemorações na minha vida. Dia dos Namorados, Aniversário de Namoro (mesmo já estando casado), Aniversário da esposa e Aniversário da filha. Pena que eu só receba presente em duas dessas comemorações.

Um dos presentes que ganhei da minha mulher foi o primeiro livro das tirinhas de “Mutts, os Vira-Latas”, lançado pela Devir. Criada em 1994 por Patrick McDonnel, a tirinha tem como personagens principais o cãozinho Duque e o gatinho Chuchu (Earl e Mooch, no original). Mutts é publicada em mais de 700 jornais em 20 países, atingindo diariamente 180 milhões de pessoas.

Como todo bom cachorro, o Jack Russel terrier Duque adora estar junto e passear com seu dono, o solteirão Ozzie (que não lembra em nada o famoso roqueiro) e uiva de tristeza quando este se ausenta de casa. O gato Chuchu, por sua vez, não é tão meloso com os donos, o casal de idosos Millie e Frank, e adora quando fica sozinho pois fica com a casa inteira só para ele. Chuchu tem ceceio, o que o faz pronunciar as palavras de modo chiado (“xim”, para “sim”, por exemplo, apesar de no livro a grafia ser com “sh”, como em “shim”).

Mutts já ganhou vários prêmios dentro e fora dos Estados Unidos. Sua longevidade junto com o reconhecimento de que desfruta, torna ainda mais impressionante o fato de nenhum jornal no Brasil publicá-la.

O livro da Devir é prefaciado por ninguém menos que Charles Schulz (alguém já ouviu falar de Snoopy?), que descreve Mutts como uma das melhores tiras de quadrinhos de todos os tempos. Segundo Schulz, “é difícil de acreditar que, depois de 100 anos de quadrinhos, Patrick seria capaz de inventar um novo cachorrinho perfeito”.

Além de escrever Mutts, Patrick McDonnel também é autor de livros infantis e ativista dos direitos dos animais, principalmente campanhas pela adoção de animais de depósitos públicos. Inclusive, uma das histórias recorrentes nas tiras chama-se exatamente “Animal Shelter” (Abrigo Animal), que conta com a participação de um cãozinho que mora em um desses abrigos, e espera pelo dia em que será adotado por uma família que o ame. Ou seja, o cara é gente boa! 🙂

O grande barato de Mutts é mesmo a inocência dos dois personagens principais. É uma leitura leve, que deixa um “gosto” bom na cabeça, que nem Macanudo e Bichinhos de Jardim. No meu caso a identificação é mais forte ainda pois tenho uma gatinha e uma cachorrinha em casa. Ao contrário de Duque e Chuchu, porém, elas não são amigas. Na verdade, a cachorra é louca para ser amiga da gata, mas a gata não quer muito papo (será porque a cachorra está sempre tentando cheirar seu traseiro? :-)).

Mas, claro, nem tudo são rosas. Este é somente o primeiro volume de 25 já lançados, de acordo com a Wikipedia! Meu bolso que se prepare pois agora eu viciei!

Uma pequena amostra do humor de Mutts

Uma pequena amostra do humor de Mutts

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Luluzinha Teen. Ou, como aproveitar uma onda.

segunda-feira, 1 \01\UTC junho \01\UTC 2009

Semana passada li que a Ediouro lançaria as aventuras da Turma da Luluzinha Teen. As histórias serão roteirizadas e desenhadas por artistas brasileiros da Labareda Design. Vejam a capa do número 1, que será lançado agora em junho.

Alvinho, Bolinha, Luluzinha, Glorinha e Aninha

Alvinho, Bolinha, Luluzinha, Glorinha e Aninha

Quase um ano após o lançamento da Turma da Mônica Jovem, sucesso inquestionável de vendas, o anúncio do lançamento é de um oportunismo gritante. Se fosse uma monografia de fim de curso seria imediatamente qualificado como plágio. Reparem que até o “Em estilo mangá”, no canto superior direito, foi copiado da Turma da Mônica. E o pior é que escolheram personagens com pouco apelo entre as crianças e pré-adolescentes de hoje. Minha menina tem 13 anos e nunca tinha ouvido falar da Luluzinha, cujos gibis estão fora das bancas desde 1996. Talvez fosse o caso de apresentar a turma clássica para a geração atual mas se fizessem isso perderiam a onda provocada pela Turma da Mônica Jovem.

Plágios à parte, também não gostei dos desenhos. Achei a Luluzinha muito diferente da original. Também não gostei do fato do Bolinha ter emagrecido pois os quilos extras eram a marca registrada dele. Mesmo o Cascão, que na versão adolescente passou a tomar banho, manteve as sujeirinhas nas bochechas e continua fedendo que nem um gambá depois de fazer atividades físicas.

A visão do Jean Okada para a Luluzinha e Bolinha teen é um milhão de vezes melhor. Além de manter os verdadeiros cachinhos da Lulu, ainda mantém os quilos do Bolinha (ou “Bolão” :-)). Confiram abaixo:

Luluzinha, Bolinha e Carequinha by Jean Okada
Luluzinha, Bolinha e Carequinha by Jean Okada

Lembrando que a Ediouro é a mesma editora que deixou de publicar Spawn, Fábulas Pixel e Pixel Magazine sem dar nenhuma satisfação aos fãs.


Bichinhos de Jardim

segunda-feira, 4 \04\UTC maio \04\UTC 2009

Pessoal, um blog que vale a pena conhecer. Bichinhos de Jardim é uma muito bem bolada criação da Clara Gomes, designer gráfica formada pela UFRJ. É impossível ler as tirinhas dos Bichinhos sem ao menos esboçar um sorriso. Além de extremamente divertidas elas ainda trazem um humor ácido que aprecio bastante (acidez essa quase sempre proporcionada pela minha favorita, a Joaninha).

Os Bichinhos são publicados na Tribuna de Petrópolis (cidade-natal da Clara) desde 2001 e na internet desde 2006.

bichinhos-de-jardim


Death Note

domingo, 3 \03\UTC maio \03\UTC 2009

No ano passado a JBC concluiu a publicação de Death Note, um dos melhores mangás que já tive a oportunidade de ler. A história, em 12 volumes, gira em torno de um caderno que tem o poder de causar a morte de qualquer um cujo nome seja escrito em suas páginas. Os Death Notes pertencem aos Shinigamis (“Deuses da Morte”), seres sobrenaturais que usam os cadernos para prolongar as próprias vidas às custas das vidas dos humanos.

A história começa quando um entediado Shinigami chamado Ryuk resolve abandonar um Death Note no mundo dos humanos. O caderno é encontrado pelo estudante Light Yagami, considerado o melhor aluno do país e dono de um raciocínio lógico e dedutivo sem precedentes. Light resolve usar o Death Note para matar todos os criminosos, abrindo caminho para uma nova era onde não haverá crimes nem assassinatos. Em todo o mundo, presidiários e criminosos cujos rostos e nomes foram expostos na mídia começam a morrer misteriosamente de ataque cardíaco (a causa mortis padrão do Death Note). Esse fato logo chama a atenção da opinião pública, que batiza o suposto assassino de Kira (da pronúncia japonesa para killer, assassino em inglês). Porém, o caso acaba despertando também o interesse do misterioso L, tido como o melhor detetive do mundo. A partir daí a história ganha contornos emocionantes, com o embate intelectual entre Kira e L.

Quando a primeira edição chegou às bancas eu andava desanimado com os mangás que eram publicados. Os que eu acompanhava ou haviam sido concluídos ou cancelados. Porém, Death Note me arrebatou de vez. Esperava ansioso pela nova edição e me revoltava quando acabava de lê-la pois os autores tinham o péssimo hábito de concluir o volume com uma mega-“deixa” para o volume seguinte. Dois amigos que nunca haviam lido um mangá na vida acabaram se interessando pela série, de tanto que eu comentava no trabalho. Compraram os mangás e também adoraram! 🙂 Um terceiro amigo preferiu assistir ao anime, e também adorou.

Death Note é um mangá que deve ser lido com calma e atenção pois nem sempre é fácil acompanhar o raciocínio dos dois protagonistas, Kira e L (na verdade, há momentos em que rola uma forçação de barra tremenda mas não deixe que isso comprometa a leitura). Várias vezes eu tive que voltar algumas páginas, ou até mesmo edições, para me certificar que as deduções faziam sentido.

Àqueles que tiverem a oportunidade de ler, recomendo fortemente.


Disney Brasil pela Editora Abril

sábado, 2 \02\UTC maio \02\UTC 2009

Outro dia fui à casa dos meus pais e trouxe umas revistas da Disney que ainda estavam lá e que escaparam da grande burrada que cometi quando era mais novo. Obviamente, dediquei um tempo a reler aquelas saudosas edições de Disney Especial, Grande Almanaque de Férias, Grande Almanaque de Natal e Anos Dourados do Pato Donald. Muitas histórias boas mas as melhores, sem falso ufanismo, eram aquelas criadas pelo Estúdio Disney da Editora Abril. Em uma época em que os desenhistas e argumentistas não eram creditados nas revistas, a única pista sobre o país de origem da história era o minúsculo código que se “escondia” na primeira página. Se começasse com “B”, batata! Era uma criação genuinamente brasileira.

O Estúdio Disney da Abril não só criou histórias memoráveis como também criou novos personagens para a Disney. Só para citar alguns: Firmina, Turma da Pata Lee, Morcego Verde, Anacozeca, Morcego Vermelho, Glória, Borboleta Púrpura, Pena Submarino, Pena Kid e Biquinho (cujo nome foi escolhido em concurso aberto aos leitores, que enviaram sugestões). Essas histórias se destacavam por terem um humor meio debochado, verde-e-amarelo de carteirinha como podemos ver abaixo:

post-estudio-abril

Depois do sucesso da coleção “O Melhor da Disney”, que reuniu toda obra do Mestre Carl Barks, a Abril poderia, sim, pensar com bastante carinho em lançar uma coleção nos mesmos moldes com todas as histórias produzidas pelo Estúdio Disney. De repente, quem sabe?, no estilo “omnibus” que as editoras americanas de super-heróis têm conseguido emplacar.

Fica a sugestão para a Abril.


Quando a coleção se torna insustentável: de doações à busca por um discípulo

sexta-feira, 10 \10\UTC abril \10\UTC 2009

Não tenho mais espaço para guardar meus gibis. Essa é a verdade. Mesmo após mais de um ano desde que saí da casa dos meus pais, ainda não trouxe todas as revistas para meu novo apartamento porque simplesmente não há espaço! Já tentei anunciar as revistas na internet, mas só recebi resposta de curiosos e de sebos, que queriam pagar uma mixaria (R$ 0,50) por edição. Aos poucos fui percebendo que não conseguiria vendê-las. Havia me divertido muito com elas e não poderia trocá-las por qualquer dinheiro. Claro que elas tinham um preço, mas nunca encontrei ninguém disposto a pagar.

Diante de minha incapacidade de vender os gibis, resolvi doá-los para quem não tivesse condição de comprar nas bancas. Hoje em dia quadrinhos são um lazer caro e não é qualquer família que pode se dar ao luxo de comprar gibis para as crianças. Isso é algo muito cruel porque os gibis são uma excelente ferramenta para estimular nas crianças o hábito de ler.

O primeiro lote que separei para doação tinha mais ou menos 500 revistas, só com as revistas mensais da Marvel publicadas pela Editora Abril. A Biblioteca Central do Colégio Pedro II, Unidade São Cristóvão, onde estudei, foi escolhida como beneficiada. A diretora da biblioteca ficou muito feliz com a doação, ainda mais por vir de um ex-aluno (é fato que os ex-alunos de lá têm um caso de amor com o Colégio e eu não sou exceção). O Colégio Pedro II, apesar de tradicional e considerado um colégio público “de elite”, pelo fato da matrícula ser condicionada à aprovação em concurso público, tem um número considerável de alunos cujas famílias são muito carentes. Que aqueles gibis, que tão importantes me foram, possam ajudar de alguma forma o desenvolvimento desses alunos!

Um segundo lote, com mais ou menos 300 revistas, todas da Panini, doei para a Escola Municipal Moreira Franco, uma escola para crianças surdas, em Niterói, onde minha amiga Ana Paula leciona. A ideia da Aninha era usar os gibis durantes as aulas dela. Foi com muita alegria que pus todos os gibis no carro e parti de manhã para Niterói, mesmo sabendo que pegaria um engarrafamento monstruoso na volta. Missão cumprida!

Mas mesmo assim ainda sobraram pilhas e mais pilhas de revistas…

Eu gostaria mesmo era de encontrar uma pessoa a quem eu pudesse entregar todo o restante da coleção. Alguém que também fosse “viciado” como eu, mas que não pudesse arcar com os custos. Alguém que preservasse os gibis com o mesmo cuidado que eu. Em uma biblioteca os gibis atendem um número maior de pessoas, não há dúvida, mas é fato que muitas edições acabam depredadas, intencionalmente ou não. Em suma, gostaria de ter um discípulo que herdasse meu “legado”. E só eu sei como tem sido difícil encontrar um discípulo “digno”.

E enquanto isso, as pilhas de gibis vão crescendo (mais lentamente que no passado, é preciso dizer)…


Projeto de Software em Quadrinhos

quinta-feira, 9 \09\UTC abril \09\UTC 2009

Pessoal, após um longo inverno estou de volta aos posts neste humilde blog. Os posts rarearam não por falta de temas, mas por falta de tempo (e preguiça, admito) de escrevê-los. Tentarei, dentro do possível, postar uma vez por semana.

A tirinha abaixo retrata, infelizmente com muita verossimilhança, o progresso de um projeto de software desde sua concepção até a política de suporte ao cliente. Imaginem vocês o que seria de nós se os projetos de pontes ou edifícios tivessem as mesmas deficiências.

Mas não há como negar: a tirinha é bem engraçada! Meus quadrinhos preferidos são os três primeiros, da esquerda para a direita, da fileira de baixo.

Até a próxima!

Projeto de Software