Rapidinha

quarta-feira, 12 \12\UTC maio \12\UTC 2010


Calvin e Haroldo

sexta-feira, 21 \21\UTC novembro \21\UTC 2008

Lembro que quando era criança a edição dominical de O Globo trazia o suplemento infantil Globinho. O Globinho trazia passatempos, atividades e, na semana da Indepedência, um chapéu de soldado feito com a folha do jornal! Bastava dobrar e sair cantando: “Marcha soldado, cabeça-de-papel…”.

E além disso tudo, tinha o filé mignon: as tirinhas de quadrinhos. Hagar, o Horrível, Crock e Os Legionários, Urbano, O Aposentado. Todas excelentes, hilárias. Mas tinha a cereja do bolo (ou do filé): Calvin e Haroldo. Lembro que ela abria O Globinho. Isso era bom pois eu saciava logo a vontade de ler minha tirinha favorita mas era ruim porque todas as demais pareciam “sem-graça” em comparação com Calvin.

Minha cabeça de criança não entendia muito bem porque o tigre, que era de verdade e falava, “virava” um tigre de pelúcia quando Calvin interagia com qualquer outra pessoa. Só sei que eu gostava dos traços e tentava imitar os desenhos. O tempo passou e comecei a entender as sutilezas e críticas que o autor, o genial Bill Watterson, escondia no texto de humor: amigo imaginário, fuga da realidade… E a admiração pela tirinha só aumentou.

Até então eu imaginava que as tirinhas só eram publicadas no domingo. Porém, quando minha mãe assinou o jornal O Globo descobri que elas eram publicadas diariamente! De repente eu, que “sofria” esperando uma semana inteira por uma nova estória da dupla, tinha a oportunidade de ler Calvin e Haroldo de domingo a domingo! Nirvana! Aleluia! Rapidamente estabeleci um ritual: chegar do colégio, pegar o Segundo Caderno e ler minha tirinha favorita. Mas como dizem, não há bem que dure para sempre…

Num belo dia cheguei do colégio, peguei o Segundo Caderno e vi uma notícia na primeira página que chamou minha atenção: Calvin e Haroldo não seria mais publicado. Em seu lugar entraria uma nova tira chamada Zoé e Zezé. “Como assim, ‘não será mais publicado’? O que eles querem dizer com isso?”, pensei, sem notar que entrava no primeiro estágio do luto, a negação. Mas na segunda-feira seguinte, lá estava a nova tirinha, Zoé e Zezé, no lugar dos meus personagens favoritos. Os substitutos eram engraçados, mas definitivamente não estavam à altura do substituídos. O ano era 1995.

O tempo passou. Comecei a trabalhar, terminei a faculdade. Em junho de 2004 li que uma editora americana iria lançar uma caixa com todas, eu disse todas as tirinhas de Calvin e Haroldo. “Eu preciso ter!”, foi meu pensamento imediato! A notícia dizia que não custaria menos de 200 dólares. Comecei a periodicamente garimpar informações a respeito do lançamento até que em janeiro de 2006 finalmente a caixa foi lançada. Gigantesca, com 3 livrões também gigantescos, capa dura. Alto luxo.

Tentei encontrar uma importadora que vendesse a bendita caixa, mas os preços eram proibitivos. A caixa custava US$ 200, o que, pelo câmbio da época dava algo entre R$ 400 e R$ 500. As importadoras não vendiam por menos de R$ 800. Resolvi então comprar pela Amazon.com. Seria minha primeira compra internacional. Comprei por US$ 150 (R$ 250) e recebi o pacote, em perfeito estado, menos de 2 semanas depois. Eu parecia uma criança folheando aqueles livrões, palavras da minha mulher. E eu realmente estava muito feliz. Melhor do que sentir toda aquela nostalgia foi comprovar que mesmo depois de tantos anos as tiras ainda eram tão engraçadas como quando as lera pela primeira vez.

Essa semana acabei de ler o último dos três livrões, depois de 2 anos e meio. O trabalho de Bill Watterson realmente é fantástico e permanecerá para sempre nas minhas lembranças.

Definitivamente, é um mundo mágico!

É um mundo mágico

Última tira original de Calvin e Haroldo, publicada em 31/12/1995

“Uau! Nevou mesmo noite passada! Não é maravilhoso?”
“Tudo que era familiar desapareceu! O mundo parece novo em folha!”
“Um novo ano… Um começo renovado e limpo!”
“É como ter uma grande folha de papel branco pra desenhar!”
“Um dia cheio de possibilidades!”
“É um mundo mágico, Haroldo, velho amigo…”
“… vamos explorar!”