Uma rapidinha sobre “Buda”

“Buda”, de Osamu Tezuka, é uma estória muito longa. Seus 14 volumes narram a história de Siddharta Gautama, o Buda, desde antes de seu nascimento até o dia de sua morte, mais ou menos aos 80 anos. Como cobre um período cronológico bem extenso, muitos personagens são apresentados e não raro precisamos voltar alguns volumes para lembrar “quem é mesmo aquele personagem”.

Um personagem bem interessante é o Devadatta. Filho de Bandaka, que disputou com Siddharta a mão de Yasodhara e se tornou Rei de Kapilavastu, foi expulso da vila em que morava depois de ter assassinado 4 colegas de escola que zombavam constantemente dele. Sem poder voltar para sua casa, passou a viver com os lobos, aprendendo seu idioma e comportando-se cada vez menos como um humano.

Após ser expulso da floresta que escolhera para viver (desta vez por Naradhata, um monge que também abandonara, anos antes e por vontade própria, o convívio com os humanos), Devadatta viu-se forçado a viver novamente em meio às pessoas. Nessa ocasião ele aprende sobre o valor que os humanos dão ao dinheiro e às joias e decide que se tornará o homem mais rico de todos. Muitos volumes depois, ele volta à estória principal como antagonista de Buda.

Até aí tudo bem. Um personagem bem construído, motivado e com uma história de vida incrivelmente sofrida. Porém, quando ele volta à estória, NADA disso é aproveitado. Não há nenhuma referência à época em que vivera como lobo, com sua mãe loba e seu irmãozinho lobo. A impressão que dá é que qualquer outra estória traumática pela qual o garoto tivesse passado ficaria de bom tamanho.

Pra mim, um grande furo.

Devadatta e família

Mas novos tipos de provação aguardavam por ele.
– Maninho, vamos brincar de caçada?
– Uhum!
– Hoje não! Sinto a presença de humanos por perto!
– Vamos ficar bem, mãe!

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One Response to Uma rapidinha sobre “Buda”

  1. Sômulo Mafra disse:

    Entendo seu ponto de vista. Faz todo sentido.

    Mas, após ler seu comentário, me dei conta de um outro ponto de vista.

    A coleção possui 14 volumes, certo? Imagine q vc tivesse preguiça de ler todos.

    Imagine q, por algum acaso, um amigo seu, ou a livraria onde vc comprou o livro, tivesse a coleção apenas a partir do volume em q o antagonista da história é apresentado.

    Ou seja, todo o seu juízo sobre as atitudes do antagonista da história seriam baseados exclusivamente no q vc leu a partir do momento em q o personagem já é antagonista da história do Buda.

    Ou seja, vc não teria a menor idéia sobre o passado dele.

    Isso é muito frequente no nosso cotidiano. Julgamos pessoas (para o bem ou para o mal) sem ter conhecimento sobre como foi o passado dela.

    Algumas vezes, quando nos damos conta sobre o q o indivíduo passou, tendemos a modificar o nosso juízo.

    Analisando por esse ponto de vista, eu achei a proposta da história muito interessante.

    Um abraço,
    Sômulo N Mafra

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