Presentes III

Blogueiro feliz de novo!

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Em julho de 2006 a Conrad lançou no Brasil o primeiro volume de “Nausicaä do Vale do Vento”, do autor japonês Hayao Miyazaki, o mesmo das animações “A Viagem de Chihiro” (2001) e “O Castelo Animado” (2004). Eu gostei muito de “A Viagem de Chihiro” e fiquei curioso para conhecer essa outra obra de Miyazaki.

Um dia, na livraria Saraiva, achei-o: era um álbum bonito, com um bom acabamento e dimensões maiores que as dos outros mangás. Folheando-o, vi que os quadrinhos mostravam mapas, armaduras, naves voadoras, mas não em um estilo futurista. Era mais como um “medieval tecnológico”, igual ao que vemos em “He-Man”. O papel usado na impressão, levemente amarelado, realçava essa sensação. Tudo muito legal, muito bonito, mas deixei na livraria. Na época eu estava em contenção de despesas e de espaço.

O tempo passou e chegamos a 2009. No dia do meu aniversário, após minha querida esposa ter me presenteado com o “Daredevil Omnibus”, minha amiga Dona Elaine me liga para desejar parabéns e diz que havia comprado um presente pra mim. Obviamente ela não disse o que era e que eu só saberia dali a dois dias, na segunda-feira, quando nos encontraríamos com nossos colegas Sakonneteiros para a terceira comemoração do meu aniversário.

Os dois dias se passaram e eu e ela fomos os primeiros a chegar à Cervejaria Devassa, onde rolaria a comemoração. Pusemos a conversa em dia e, aí sim, ganhei meu presente, embrulhadinho em um papel alumínio azul. Dava pra sentir pelo tato que eram livros. Abri o embrulho com todo cuidado e comprovei que eram três livros! Três gibis! Os três primeiros volumes de “Nausicaä do Vale do Vento”!

A estória se passa em um mundo destruído por um evento chamado de Sete Dias de Fogo. Desprovida de boa parte das conquistas tecnológicas do passado, a humanidade se organiza em pequenos reinos nas poucas áreas habitáveis que restaram. Uma imensa floresta chamada de Mar Podre cobre boa parte do planeta e suas árvores exalam um pólen venenoso, fatal para quaisquer outros animais que não os insetos gigantes que vivem por lá e para os Ohmus, imensos artrópodes semelhantes a lagartas. Os Ohmus são seres inteligentes e são os guardiões do Mar Podre. Nausicaä é a princesa do Reino do Vale do Vento e se une ao Reino de Torumekia quando este entra em guerra contra o Império Dorok.

Nausicaä, segunda a mitologia grega, é o nome de uma princesa da Esquéria, país dos Feácios, que socorreu o náufrago Ulisses, cedendo-lhe alimentos e vestimentas. Dela, a personagem do mangá emprestou a bondade e a caridade para com estranhos. Outra fonte de inspiração foi a princesa do conto “Mushi Mezuru Himegimi” (A Princesa que Amava Insetos), publicado em “The Tsutsumi Chunagon Monogatari: A Collection of 11th-Century Short Stories of Japan”. A princesa desse conto é de uma família nobre e importante e, por algum motivo, adorava insetos e vermes. Essa inspiração fica clara quando vemos a compaixão de Nausicaä para com os Ohmus e os insetos gigantes. De algum modo, ela consegue se comunicar com os guardiões do Mar Podre, evitando assim batalhas desnecessárias.

Publicada no Japão em 7 volumes ao longo de 13 anos, “Nausicaä do Vale do Vento” também virou um anime de muito sucesso. Até o momento a Conrad já publicou os 4 primeiros volumes (três eu ganhei e o quarto eu comprei ?). Torço para que publique logo os restantes.

Dona Elaine deu-me a chance de conhecer uma estória muito curiosa. É um mangá, ok, criado no Japão e originalmente publicado em japonês, mas o “look and feel” da obra me lembrou muito os quadrinhos europeus. O maior número de quadros por página, sem fugir muito do estilo “retângulo”. O traço também é diferente dos mangás tradicionais, apesar de não saber explicar muito bem o quê é diferente.

O fato é que foi um ótimo presente, de uma moça de quem gosto muito. Conhecemo-nos quando trabalhamos juntos em um projeto de integração de software. Ela como desenvolvedora, eu como analista de qualidade. Pessoa sensata, sensível, atenta, mas meio esquecida (Dory 🙂 ) e muito divertida, ela me ajudava a “tocar o terror” na sala em que ficávamos, com piadas, causos e comentários sobre os mutantes de “Caminhos do Coração”!

Conforme ficamos mais velhos é mais difícil encontrar pessoas que realmente podemos chamar de “amigas”. A Donane é uma amiga que tive a sorte de conhecer há apenas 2 anos.

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One Response to Presentes III

  1. Elaine disse:

    Neizim,
    sinto-me muito honrada por ser sua amiga. E muito feliz de saber que o presente agradou… Acho que o estilo eh indefinivel mesmo. Se voce vir outros filmes do Miyazaki vai perceber que tanto os desenhos como o estilo das estorias tem algo em comum…
    Em tempo: estou lendo o volume 3 de Macanudo. 🙂
    Beijocas

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