Uma rapidinha sobre “Buda”

terça-feira, 24 \24\UTC fevereiro \24\UTC 2009

“Buda”, de Osamu Tezuka, é uma estória muito longa. Seus 14 volumes narram a história de Siddharta Gautama, o Buda, desde antes de seu nascimento até o dia de sua morte, mais ou menos aos 80 anos. Como cobre um período cronológico bem extenso, muitos personagens são apresentados e não raro precisamos voltar alguns volumes para lembrar “quem é mesmo aquele personagem”.

Um personagem bem interessante é o Devadatta. Filho de Bandaka, que disputou com Siddharta a mão de Yasodhara e se tornou Rei de Kapilavastu, foi expulso da vila em que morava depois de ter assassinado 4 colegas de escola que zombavam constantemente dele. Sem poder voltar para sua casa, passou a viver com os lobos, aprendendo seu idioma e comportando-se cada vez menos como um humano.

Após ser expulso da floresta que escolhera para viver (desta vez por Naradhata, um monge que também abandonara, anos antes e por vontade própria, o convívio com os humanos), Devadatta viu-se forçado a viver novamente em meio às pessoas. Nessa ocasião ele aprende sobre o valor que os humanos dão ao dinheiro e às joias e decide que se tornará o homem mais rico de todos. Muitos volumes depois, ele volta à estória principal como antagonista de Buda.

Até aí tudo bem. Um personagem bem construído, motivado e com uma história de vida incrivelmente sofrida. Porém, quando ele volta à estória, NADA disso é aproveitado. Não há nenhuma referência à época em que vivera como lobo, com sua mãe loba e seu irmãozinho lobo. A impressão que dá é que qualquer outra estória traumática pela qual o garoto tivesse passado ficaria de bom tamanho.

Pra mim, um grande furo.

Devadatta e família

Mas novos tipos de provação aguardavam por ele.
– Maninho, vamos brincar de caçada?
– Uhum!
– Hoje não! Sinto a presença de humanos por perto!
– Vamos ficar bem, mãe!


A Moedinha Número 1!

segunda-feira, 16 \16\UTC fevereiro \16\UTC 2009

Mudança é sempre aquela correria. Sempre acabamos deixando alguma coisa na casa antiga. Seja por esquecimento, preguiça ou falta de tempo de arrumar tudo. Hoje fui à casa dos meus pais fazer uma visita e aproveitei pra trazer mais algumas das minhas coisas. Procura daqui, procura de lá, e acabei achando um tesouro que julgava perdido há muito tempo: a moeda número 1 do Tio Patinhas! A primeira moeda que o pato quaquilionário ganhou na vida, como engraxate. A primeira das impossibilhões de patacas que compõem a fortuna do Pato Mais Rico do Mundo!

moedinha-numero-1
A famosa moeda foi um brinde oferecido pela Editora Abril junto com a revista Tio Patinhas Especial 5, lançada em novembro de 1987. Das sete estórias publicadas, 6 têm o texto e a arte assinados por Carl Barks, o maior desenhista e escritor da Disney de todos os tempos. A sétima estória, “O Duelo Aéreo”, tem o traço de Massimo de Vita e o argumento de, nada mais nada menos que Jerry Siegel! Sim, o mesmo Jerry Siegel que criou “aquele tal de Superman”!

tio-patinhas-especial-5Naquela época dava pra confiar quando a palavra “Especial” aparecia no título de uma revista. A começar pela capa: uma reprodução de uma pintura a óleo feita por Carl Barks quando o Grande Mestre já estava aposentado. A escolha da estória para abrir a revista também teve seu simbolismo: “Natal nas Montanhas” (“Christmas on Bear Mountain“), originalmente publicada em dezembro de 1947 nos EUA, foi a primeira aparição do Tio Patinhas.

Especial mesmo. E ainda por cima vinha com a Moedinha Número 1! Saudades…


Crock e os Legionários

sábado, 14 \14\UTC fevereiro \14\UTC 2009

crock
Muito boa!

As tirinhas do Crock eram publicadas no jornal O Globo nas décadas de 80 e 90. O tema era a Legião Estrangeira, unidade militar da França cuja função era defender e expandir o império colonial francês. O comandante da legião na tirinha, Crock, era o verdadeiro “malvadão”. Vivia com os demais soldados em um forte no meio do deserto, mas mantinha para si uma série de regalias (como boa comida, por exemplo) e impunha vários castigos, muitas vezes injustos, aos subordinados.

Encontrei vários scans dessa tirinha, e de outras, no site de um dentista! O site tem uma seção chamada “Odontologia em Cartoon”, com várias tirinhas relacionadas ao cuidado com os dentes. Vale a pena dar uma olhada. http://www.mauroalthoff.com/paginas/cartoon.htm


Amizades e Gibis

sábado, 14 \14\UTC fevereiro \14\UTC 2009

Eu não sei porque, mas quando criança tive poucos amiguinhos que gostassem de ler gibis. Não sei se era porque os pais não os incentivavam, ou porque não tinham condições de comprar, ou se simplesmente não gostavam de perder preciosas horas de futebol e/ou pique com um “livro” na mão. O fato é que o assunto “gibi” não fazia muito sucesso no recreio.

O primeiro amigo que fiz por causa de um gibi foi o Jorginho. Éramos da segunda série do primário (hoje, terceiro ano do Ensino Fundamental) e uma vez ao voltarmos do recreio eu o vi lendo um “Almanaque Disney”, de um número que eu não tinha. Puxei papo e ele acabou me emprestando a revista, que foi devidamente “devorada” ao chegar da escola. De lá pra cá já são 22 anos de amizade e digo, com toda segurança, que, tirando minha família, ele é o meu amigo mais antigo.

Juntos, eu e ele investigamos a verdade por trás de uma antiga polêmica biológica: afinal, os pandas são realmente ursos? Com a ajuda de uma enciclopédia de vida animal que fora presente do meu Tio Diógenes “descobrimos” que os pandas não são ursos, mas procionídeos, a mesma família do quati! Fizemos planos para os milhões e milhões de dólares que ganharíamos quando anunciássemos nossa descoberta ao mundo. Os milhões de dólares nunca chegaram mas nos divertimos bastante naquele dia. Também começamos a estudar inglês juntos no CCAA, na mesma sala. Lembro do primeiro dia de aula, a professora perguntando: “Por que vocês vieram estudar inglês?”. Todas as crianças estavam com aquelas respostinhas ensaiadas em casa: “Ah, porque o inglês é muito importante”. Quando chegou a minha vez de responder, disse: “Eu não gosto de inglês. Estou aqui porque fui obrigado”. Foi a deixa para as outras crianças se rebelarem: “Eu também estou aqui obrigado!”, “Eu não queria ter vindo”, … Motim na sala! 🙂

Outra situação hilária foi na minha colação de grau no Pedro II. Estávamos atrasados e decidimos ir pra lá de trem. Não lembro se a SuperVia já operava na época (1996), mas o trem que pegamos, no sábado de manhã, era uma lixeira completa. Fomos eu, Jorginho, Walter e Bruno. O trem parou na estação de Madureira, entramos, Jorginho se sentou ao lado de uma menina, de frente pra porta por onde havíamos entrado. Ele foi o único que sentou. Quando o trem começou a sair, devagarzinho, vimos uns borrões voando pela porta, ainda aberta, pra dentro do trem. Foi só o tempo de girar o pescoço e ver o Jorginho e a menina cobertos de cascas de frutas e pedaços de verduras! Tinha uma casca de batata colada na bochecha dele e um tomate no coque da menina! Fomos sacaneando o pobre coitado até chegarmos ao Colégio. E o sacaneamos por muito tempo depois disso!

Almanaque Disney #190, março de 1987

Almanaque Disney #190, março de 1987

Sempre que vou à casa dele pra bater papo acabamos jogando video game. Teve uma vez que, nós dois já com vinte e tantos anos na cara, estávamos subindo pra jogar quando mãe dele disse: “Jorginho, se você e o Neizinho forem subir pra brincar lá em cima, avisa a ele pra não encostar na parede porque está pintada”. É fato: seremos eternas crianças não só para as nossas mães, mas para as mães de nossos amigos também. Impagável!

Muitos causos, muitas histórias, muitos campeonatos de videogame em locadoras, muitos carnavais em Jaconé. E pensar que tudo começou com um Almanaque Disney…

P.S.: e o gibi ainda trazia uma adaptação de “20.000 Léguas Submarinas” protagonizada pelo Mickey!


Presentes III

sábado, 14 \14\UTC fevereiro \14\UTC 2009
Blogueiro feliz de novo!

Blogueiro feliz de novo!

Em julho de 2006 a Conrad lançou no Brasil o primeiro volume de “Nausicaä do Vale do Vento”, do autor japonês Hayao Miyazaki, o mesmo das animações “A Viagem de Chihiro” (2001) e “O Castelo Animado” (2004). Eu gostei muito de “A Viagem de Chihiro” e fiquei curioso para conhecer essa outra obra de Miyazaki.

Um dia, na livraria Saraiva, achei-o: era um álbum bonito, com um bom acabamento e dimensões maiores que as dos outros mangás. Folheando-o, vi que os quadrinhos mostravam mapas, armaduras, naves voadoras, mas não em um estilo futurista. Era mais como um “medieval tecnológico”, igual ao que vemos em “He-Man”. O papel usado na impressão, levemente amarelado, realçava essa sensação. Tudo muito legal, muito bonito, mas deixei na livraria. Na época eu estava em contenção de despesas e de espaço.

O tempo passou e chegamos a 2009. No dia do meu aniversário, após minha querida esposa ter me presenteado com o “Daredevil Omnibus”, minha amiga Dona Elaine me liga para desejar parabéns e diz que havia comprado um presente pra mim. Obviamente ela não disse o que era e que eu só saberia dali a dois dias, na segunda-feira, quando nos encontraríamos com nossos colegas Sakonneteiros para a terceira comemoração do meu aniversário.

Os dois dias se passaram e eu e ela fomos os primeiros a chegar à Cervejaria Devassa, onde rolaria a comemoração. Pusemos a conversa em dia e, aí sim, ganhei meu presente, embrulhadinho em um papel alumínio azul. Dava pra sentir pelo tato que eram livros. Abri o embrulho com todo cuidado e comprovei que eram três livros! Três gibis! Os três primeiros volumes de “Nausicaä do Vale do Vento”!

A estória se passa em um mundo destruído por um evento chamado de Sete Dias de Fogo. Desprovida de boa parte das conquistas tecnológicas do passado, a humanidade se organiza em pequenos reinos nas poucas áreas habitáveis que restaram. Uma imensa floresta chamada de Mar Podre cobre boa parte do planeta e suas árvores exalam um pólen venenoso, fatal para quaisquer outros animais que não os insetos gigantes que vivem por lá e para os Ohmus, imensos artrópodes semelhantes a lagartas. Os Ohmus são seres inteligentes e são os guardiões do Mar Podre. Nausicaä é a princesa do Reino do Vale do Vento e se une ao Reino de Torumekia quando este entra em guerra contra o Império Dorok.

Nausicaä, segunda a mitologia grega, é o nome de uma princesa da Esquéria, país dos Feácios, que socorreu o náufrago Ulisses, cedendo-lhe alimentos e vestimentas. Dela, a personagem do mangá emprestou a bondade e a caridade para com estranhos. Outra fonte de inspiração foi a princesa do conto “Mushi Mezuru Himegimi” (A Princesa que Amava Insetos), publicado em “The Tsutsumi Chunagon Monogatari: A Collection of 11th-Century Short Stories of Japan”. A princesa desse conto é de uma família nobre e importante e, por algum motivo, adorava insetos e vermes. Essa inspiração fica clara quando vemos a compaixão de Nausicaä para com os Ohmus e os insetos gigantes. De algum modo, ela consegue se comunicar com os guardiões do Mar Podre, evitando assim batalhas desnecessárias.

Publicada no Japão em 7 volumes ao longo de 13 anos, “Nausicaä do Vale do Vento” também virou um anime de muito sucesso. Até o momento a Conrad já publicou os 4 primeiros volumes (três eu ganhei e o quarto eu comprei ?). Torço para que publique logo os restantes.

Dona Elaine deu-me a chance de conhecer uma estória muito curiosa. É um mangá, ok, criado no Japão e originalmente publicado em japonês, mas o “look and feel” da obra me lembrou muito os quadrinhos europeus. O maior número de quadros por página, sem fugir muito do estilo “retângulo”. O traço também é diferente dos mangás tradicionais, apesar de não saber explicar muito bem o quê é diferente.

O fato é que foi um ótimo presente, de uma moça de quem gosto muito. Conhecemo-nos quando trabalhamos juntos em um projeto de integração de software. Ela como desenvolvedora, eu como analista de qualidade. Pessoa sensata, sensível, atenta, mas meio esquecida (Dory 🙂 ) e muito divertida, ela me ajudava a “tocar o terror” na sala em que ficávamos, com piadas, causos e comentários sobre os mutantes de “Caminhos do Coração”!

Conforme ficamos mais velhos é mais difícil encontrar pessoas que realmente podemos chamar de “amigas”. A Donane é uma amiga que tive a sorte de conhecer há apenas 2 anos.