Se arrependimento matasse…

Errar é humano. Mas às vezes cometemos erros que nos assombram indefinidamente. Cometi um desses ao me desfazer de parte da minha coleção de gibis Disney. Eu tinha 13 anos e simplesmente as vendi a um sebo maldito que ficava debaixo do viaduto de Madureira, por um preço irrisório. Já não  havia mais espaço para guardar aquele monte de gibis e precisava de uma solução. E infelizmente escolhi a pior de todas. “Seleção Disney”, “Edição Extra”, “Disney Especial”, “Disney Especial Reedição”, “Urtigão”, “Zé Carioca”, “Tio Patinhas”… tudo acabou nas mãos de um miserável camelô dono de sebo.

Hoje vejo algumas dessas revistas à venda em sites de leilão por preços a partir de R$ 15,00 (uma nova custa menos de R$ 5,00). Nos anos 80 a produção de histórias Disney por artistas brasileiros estava a todo vapor. Vários personagens foram criados e, ufanismos à parte, eram estórias muito superiores às que eram produzidas em outros países (abro exceção para as estórias dinamarquesas do Pato Donald. Eram hilárias).

Na década de 90 pude presenciar a “derrocada” dos quadrinhos Disney no Brasil. Vários títulos cancelados, desenhistas demitidos. Eu já não era mais leitor assíduo da Disney na época, mas lembro de ter ficado muito triste com o que estava acontecendo. Afinal, quem iria desenhar o Morcego Vermelho? Será que alguém conseguiria mesmo bolar roteiros mais engraçados que os do Ivan Saidenberg ou Gérson Teixeira? Talvez sim, mas duvido muito.

Ainda tenho algumas dessas revistas guardadas e não me desfaço delas por nada. São meu elo de ligação com a minha época de Ouro dos quadrinhos Disney. Estórias que me faziam gargalhar mesmo depois de adulto e que deixaram muitas saudades.

Este ano a Abril concluiu a publicação das Obras Completas de Carl Barks depois de 40 edições publicadas ao longo de 5 anos. Seria ótimo ela lançasse uma coleção nos moldes com o material produzido no Brasil. Tenho certeza de que será um sucesso tão grande quanto o Obras Completas.

Mas enquanto isso não acontece, vou remoendo o arrependimento…

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One Response to Se arrependimento matasse…

  1. […] fui à casa dos meus pais e trouxe umas revistas da Disney que ainda estavam lá e que escaparam da grande burrada que cometi quando era mais novo. Obviamente, dediquei um tempo a reler aquelas saudosas edições […]

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