Bancas da cidade

sexta-feira, 28 \28\UTC novembro \28\UTC 2008

As pessoas que convivem comigo sabem que quando estou na rua sempre gosto de dar xeretada nas bancas de revistas. E fico pasmo como muitos jornaleiros arrumam os gibis em suas bancas. As revistas ficam praticamente jogadas, dispostas de qualquer jeito, umas sobre as outras, cheias de orelhas e às vezes rasgadas.

As orelhas e rasgos (principalmente na área das lombadas) acontecem muitas vezes ainda na empresa distribuidora. Eles empilham várias revistas iguais e, zás, amarram a pilha com um barbante e dão “aquela” força no nó. Só isso já danifica a revista do topo da pilha. Aí a pobre revista chega à banca e o jornaleiro a coloca em um desses expositores em que a revista tem que entrar de lado. Ou teria, já que muitos simplesmente empurram a pobre coitada para dentro do expositor, danificando a lombada.

Essas bancas na maioria das vezes só servem pra saber se saiu algo novo. Comprar mesmo só em bancas selecionadas! E infelizmente onde moro não há nenhuma assim. Outro dia, andando pelo bairro da Freguesia, em Jacarepaguá, visitei 7 bancas que, juntas, não valiam uma. Assim fica difícil.

Anúncios

Mais uma convertida

domingo, 23 \23\UTC novembro \23\UTC 2008

Fui à sala ainda a pouco e vi que minha mulher está lendo Adolf, de Osamu Tezuka. É a estória de três homens chamados Adolf que viveram na época da II Guerra Mundial. Adolf Kamil é um judeu alemão que mora no Japão. Adolf Kauffmann é filho de mãe japonesa e pai alemão, amigo de infância de Kamil. O terceiro é o próprio Adolf Hitler, ditador da Alemanha.

Os cinco volumes de Adolf foram lançados pela Conrad já tem um bom tempo mas acabei deixando-os de lado pois na época meu orçamento não permitia. Em um desses finais de semana minha mulher e minha filha pediram que eu as levasse ao shopping para comprarem roupas. Como eu não tenho paciência de ficar procurando roupa em shopping (principalmente se não forem pra mim) resolvi que as esperaria na livraria. Lá encontrei o primeiro volume de Adolf e comecei a lê-lo para matar o tempo. Gostei tanto que acabei lendo o segundo também. Só não li o terceiro porque as meninas me ligaram dizendo que já tinham comprado tudo que iam comprar.

Resolvi então comprar a coleção inteira mesmo já tendo lido os volumes 1 e 2. E a vi à venda por R$ 70,00. Comprei na mesma hora e não me arrependi. A estória prende e você nem sente o tempo passar.

Quem diria: a ida da minha mulher ao shopping me fez conhecer um mangá excelente. E agora ela lendo aquele mesmo mangá. Só falta convencer minha filha a começar.


Calvin e Haroldo

sexta-feira, 21 \21\UTC novembro \21\UTC 2008

Lembro que quando era criança a edição dominical de O Globo trazia o suplemento infantil Globinho. O Globinho trazia passatempos, atividades e, na semana da Indepedência, um chapéu de soldado feito com a folha do jornal! Bastava dobrar e sair cantando: “Marcha soldado, cabeça-de-papel…”.

E além disso tudo, tinha o filé mignon: as tirinhas de quadrinhos. Hagar, o Horrível, Crock e Os Legionários, Urbano, O Aposentado. Todas excelentes, hilárias. Mas tinha a cereja do bolo (ou do filé): Calvin e Haroldo. Lembro que ela abria O Globinho. Isso era bom pois eu saciava logo a vontade de ler minha tirinha favorita mas era ruim porque todas as demais pareciam “sem-graça” em comparação com Calvin.

Minha cabeça de criança não entendia muito bem porque o tigre, que era de verdade e falava, “virava” um tigre de pelúcia quando Calvin interagia com qualquer outra pessoa. Só sei que eu gostava dos traços e tentava imitar os desenhos. O tempo passou e comecei a entender as sutilezas e críticas que o autor, o genial Bill Watterson, escondia no texto de humor: amigo imaginário, fuga da realidade… E a admiração pela tirinha só aumentou.

Até então eu imaginava que as tirinhas só eram publicadas no domingo. Porém, quando minha mãe assinou o jornal O Globo descobri que elas eram publicadas diariamente! De repente eu, que “sofria” esperando uma semana inteira por uma nova estória da dupla, tinha a oportunidade de ler Calvin e Haroldo de domingo a domingo! Nirvana! Aleluia! Rapidamente estabeleci um ritual: chegar do colégio, pegar o Segundo Caderno e ler minha tirinha favorita. Mas como dizem, não há bem que dure para sempre…

Num belo dia cheguei do colégio, peguei o Segundo Caderno e vi uma notícia na primeira página que chamou minha atenção: Calvin e Haroldo não seria mais publicado. Em seu lugar entraria uma nova tira chamada Zoé e Zezé. “Como assim, ‘não será mais publicado’? O que eles querem dizer com isso?”, pensei, sem notar que entrava no primeiro estágio do luto, a negação. Mas na segunda-feira seguinte, lá estava a nova tirinha, Zoé e Zezé, no lugar dos meus personagens favoritos. Os substitutos eram engraçados, mas definitivamente não estavam à altura do substituídos. O ano era 1995.

O tempo passou. Comecei a trabalhar, terminei a faculdade. Em junho de 2004 li que uma editora americana iria lançar uma caixa com todas, eu disse todas as tirinhas de Calvin e Haroldo. “Eu preciso ter!”, foi meu pensamento imediato! A notícia dizia que não custaria menos de 200 dólares. Comecei a periodicamente garimpar informações a respeito do lançamento até que em janeiro de 2006 finalmente a caixa foi lançada. Gigantesca, com 3 livrões também gigantescos, capa dura. Alto luxo.

Tentei encontrar uma importadora que vendesse a bendita caixa, mas os preços eram proibitivos. A caixa custava US$ 200, o que, pelo câmbio da época dava algo entre R$ 400 e R$ 500. As importadoras não vendiam por menos de R$ 800. Resolvi então comprar pela Amazon.com. Seria minha primeira compra internacional. Comprei por US$ 150 (R$ 250) e recebi o pacote, em perfeito estado, menos de 2 semanas depois. Eu parecia uma criança folheando aqueles livrões, palavras da minha mulher. E eu realmente estava muito feliz. Melhor do que sentir toda aquela nostalgia foi comprovar que mesmo depois de tantos anos as tiras ainda eram tão engraçadas como quando as lera pela primeira vez.

Essa semana acabei de ler o último dos três livrões, depois de 2 anos e meio. O trabalho de Bill Watterson realmente é fantástico e permanecerá para sempre nas minhas lembranças.

Definitivamente, é um mundo mágico!

É um mundo mágico

Última tira original de Calvin e Haroldo, publicada em 31/12/1995

“Uau! Nevou mesmo noite passada! Não é maravilhoso?”
“Tudo que era familiar desapareceu! O mundo parece novo em folha!”
“Um novo ano… Um começo renovado e limpo!”
“É como ter uma grande folha de papel branco pra desenhar!”
“Um dia cheio de possibilidades!”
“É um mundo mágico, Haroldo, velho amigo…”
“… vamos explorar!”


Alô, mundo!

quarta-feira, 12 \12\UTC novembro \12\UTC 2008

Bem-vindo!

Se você chegou até esta página, meus parabéns! Você está lendo o primeiro post do meu primeiro blog! Nele pretendo tecer alguns comentários sobre histórias em quadrinhos, tirinhas, gibis e arte seqüencial de modo geral. Escolhi este tema pois o conheço relativamente bem. Coleciono gibis há muitos anos, desde a primeira metade da década de 80. Passei pela época áurea da Disney no Brasil, vi a Turma da Mônica mudar de editora duas vezes, descobri os gibis de super-heróis (especialmente os da Marvel) e presenciei a chegada dos mangás ao Brasil. Eu “estava lá” quando Calvin e Haroldo pararam de ser publicados por O Globo para dar lugar a Zoé e Zezé. Ainda hoje me pergunto por que o mesmo jornal deixou de publicar Non Sequitur. Assunto para post é o que não falta!

Outra motivação para iniciar este blog é que a escrita não é algo que eu exercite muito. Leio bastante, mas realmente não sou de escrever. Não que eu agrida constantemente nosso querido idioma, mas gosto de escrever sempre do modo mais correto possível. E como não há nada que leve à perfeição mais rápido que a prática, aqui estou!

O próximo post será dedicado a Calvin e Haroldo, de longe a melhor tirinha que já li na vida! Até lá!

P.S.: um pequeno esclarecimento sobre o nome do blog. Ele faz uso de um jogo de palavras que mistura inglês e português. Em inglês, “HQ” é a sigla para “headquarter”, que é quartel-general. Em português, “HQs” substitui “histórias em quadrinhos”. Logo, este blog tem a (pretenciosa) intenção de ser o “Quartel-general das Histórias em Quadrinhos”.