Bienal do Livro

Domingo, 13 de Setembro de 2009

Ontem fui à Bienal do Livro no Rio Centro. Eu adoro a Bienal pois é como visitar uma livraria gigante. Desde que comecei a sair sozinho só não fui à Bienal em 2007, o ano em que casei.

Esse ano eu saí de casa com três objetivos pré-definidos:

  1. Comprar o livro “MSP 50″, um livro celebrando os 50 anos de carreira do Maurício de Souza com a contribuição de 50 artistas nacionais.
  2. Participar do Café Literário com o Dash Shaw e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá.
  3. Conseguir que o Maurício de Souza autografasse minha cópia do “MSP 50″ e a edição número da “Turma da Mônica Jovem” da minha filha.

De acordo com a programação no site da Bienal, o Maurício de Souza estaria ao meio-dia no estande da Melhoramentos para uma sessão de autógrafos enquanto que o Café Literário estava marcado para as 2 da tarde. Achei estranho que fosse na Melhoramentos visto que a Panini é que publica as revistas da Turma da Mônica. Mas, enfim, quem sou eu para discordar da programação do evento? De qualquer modo o roteiro parecia claro: chego, compro o MSP 50, entro na fila dos autógrafos, conheço o Maurício de Souza, sigo para o Café Literário e curto o resto da feira sem mais nenhum “compromisso”.

Uma pena que não tenha sido assim.

Eu e minha mulher chegamos lá às 11 horas e fomos direto para o estande da Panini. Conversando com uma vendedora descobrimos vários pormenores que não estavam explícitos nem no site da Bienal, nem no guia impresso disponível nos quiosques de Informações no evento:

  1. A sessão de autógrafos seria no estande da Panini, não da Melhoramentos.
  2. Não seria ao meio-dia, mas às 6 da tarde.
  3. Para participar era preciso adquirir uma senha.
  4. Somente 50 senhas seriam distribuídas.
  5. Cada R$ 50,00 gastos no estande da Panini davam direito a uma senha.

Na hora peguei minha cópia do MSP 50 e uma cópia do “Maurício de Souza: uma biografia em quadrinhos” e fui pra fila. Deu tempo de adquirir uma senha para mim e outra para minha mulher. Passeamos um pouco pela feira e almoçamos por lá mesmo (dica: se puderem, evitem de almoçar por lá. Os preços são extorsivos e a comida não é nada de mais). Quando deu 1 da tarde fomos ao Café Literário para pegarmos as senhas para o bate-papo com Bá e Moon e Shaw. Essas senhas foram gratuitas e no site estava claro que eram necessárias. Passeamos mais um pouco e quando deu 2 da tarde seguimos para o evento.

Esse ano foi o primeiro que compareci a um evento literário da Bienal. O americano Dash Shaw é o autor de “Umbigo sem fundo”, e os gêmeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, são os autores de “Dez pãezinhos”. O evento durou cerca de uma hora e foi bacana. Os três se mostraram muito atenciosos com o público e foi interessante conhecer a trajetória dos gêmeos desde a época de zineiros até o sucesso atual.

Terminado o evento, ainda tínhamos 3 horas até o início da sessão de autógrafos. Visitamos todos os estandes, sem exceção, e chamou a minha atenção a ausência da Conrad. Achamos que pudéssemos tê-la perdido no meio de tantos estandes mas ela não estava na lista de expositores. Nem ela nem sua nova dona, a IBEP. Uma pena.

A Pixel Media também estava “ausente”. Estava camuflada no estande da Ediouro, expondo o único título que publica atualmente, a Luluzinha Teen. A JBC estava presente, mas com um estande bem modesto e exibindo somente lançamentos. De acordo com um responsável pelo estande havia sido feito um acordo com a Comix e a venda de material mais antigo seria feita somente lá. Eu até quis entrar no estande da Comix, mas era impossível. Acho que era, disparado, o que estava mais atulhado de gente.

Teve um outro estande, cujo nome não lembro mais, que tinha todas as edições de várias séries de mangás já concluídas. Se a pessoa levasse o pacote completo, o preço por edição saía muito em conta. Para citar um exemplo, Samurai X teve 56 edições e o preço de capa da última foi R$ 3,90, se não me engano. Levando as 56 de uma vez cada uma saía por R$ 1,00. Vi vendendo também as edições da versão definitiva de Dragon Ball (a versão definitiva tem mais páginas, algumas páginas coloridas e outros fru-frus. Parece um livrinho) as quais, na época do lançamento, custavam R$ 19,90 cada. Pois nesse estande o visitante poderia adquirir cada uma separadamente, e em boas condições, por R$ 4,90.

Quando deu 5 horas resolvi voltar ao estande da Panini para conferir se já estavam formando fila. No meio do caminho eu passo pelo estande da Editora Globo e quem estava lá, dando autógrafos? O Maurício de Souza! Na hora pensei que tinha perdido o bonde mas um rapaz da Globo me falou que ele depois iria para o estande da Panini. Que aquele evento na Globo não tinha nada a ver com a minha senha. Ou seja: no guia do evento dizia que haveria uma única sessão de autógrafos dele, na Melhoramentos ao meio-dia, que acabou não acontecendo.

No estande da Panini já havia uma fila de cerca de 40 pessoas. Conversando com as pessoas que já estavam lá eu descobri que muitas não estavam cientes de que era preciso ter uma senha para poder pegar o autógrafo. O pessoal da Panini não sabia informar direito coisas como: se o número da senha implicava em ordem de entrada ou se valia a ordem de chegada na fila. Ou quantas pessoas poderiam entrar com uma única senha. Eu estava tranquilo pois eu e minha mulher tínhamos cada um uma senha mas havia alguns pais com mais de um filho que só tinham uma senha.

Faltando 15 minutos para as 7 da noite finalmente chegou a vez de entrarmos na salinha de autógrafos e conhecermos o maior cartunista do Brasil. Muito simpático, ele nos deixou muito à vontade, posou para fotos conosco e fez um desenho do Cebolinha no meu MSP 50 e uma Magali na Turma da Mônica Jovem #1 da minha menina. Ele também assinou minha cópia do “Biografia em quadrinhos”. Infelizmente não pudemos conversar devido ao número de pessoas que ainda aguardavam do lado de fora. Fica para a próxima. Quem sabe daqui a 10 anos?

P.S.: ao chegar em casa li a “Biografia em Quadrinhos” e “MSP 50″. Os dois valeram cada centavo. Mais dois livros dos quais não poderei jamais me desfazer.

Dash Shaw, Gabriel Bá e Fábio Moon no Café Literário

Dash Shaw, Gabriel Bá e Fábio Moon no Café Literário

Carla, Maurício e eu na Bienal do Livro de 2009

Carla, Maurício e eu na Bienal do Livro de 2009


Inu Yasha termina!

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Comprei! Tenho em minhas mãos a última edição de Inu Yasha! Com direito a “Edição Final” na capa e tudo!


Primeira Mostra de Ilustração e Quadrinhos

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sábado estive no Quality Shopping, na Freguesia de Jacarepaguá para conferir a Primeira Mostra de Ilustração e Quadrinhos. Era minha terceira tentativa, mas acabei conseguindo! Na primeira vez eu burramente apareci um dia antes do início da exposição. Na segunda vez, um domingo, eu displicentemente não me liguei que o Quality não abre as domingos.

Não fiquei muito tempo pois já havia combinado de comparecer ao Open House do meu amigo Rocha Branca e o horário ficou apertado. Mas mesmo assim valeu a pena. Fui acompanhado de minha querida esposa e pude conferir os trabalhos da Clara Gomes, Fernando Romeiro, Jeff Hunter e Sami Souza.

Clara é autora dos Bichinhos de Jardim, uma tirinha muito legal da qual já falei em outro post. Fernando é o homem das caricaturas. Tive a oportunidade de me impressionar com uma do Paulo Autran e outra do Martinho da Vila. Visitando o site dele descobri que a Accenture, empresa em que trabalhei há alguns anos, o contratou para desenhar caricaturas dos sócios. Lembro de ter visto essa caricatura estampada em camisetas. Jeff Hunter expôs um estilo mais comics. No site dele tem uma ilustração do Homem-Aranha 2099. Achava que só eu lembrava desse herói :-) . O Sami levou um conceito muito bem bolado: uma história de cangaceiros terroristas só que misturando elementos de tecnologia e de cultura japonesa. Muito bem bolado mesmo.

A primeira artista com quem falei foi a Clara pois era a única que eu “conhecia” (de email e comentário em post, ok, mas tá valendo). Ela é uma simpatia e presenteou a mim e à minha esposa com dois buttons dos Bichinhos: a Carla ficou com um do Meleca e eu com um da minha heroína Maria Joaninha Cascudo! O restante do pessoal que estava lá também foi muito bacana e nos recebeu muito bem. Quisera eu ter ficado um pouquinho mais.

Todas as fotos do evento podem ser conferidas aqui.

Amor, eu, Clara Gomes, Fábio e David

Amor, eu, Clara Gomes, Fábio e David

Jeff Hunter, Clara Gomes, Sami Souza e Fernando Romeiro

Jeff Hunter, Clara Gomes, Sami Souza e Fernando Romeiro


Maurício de Souza e Michael Jackson

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

É.

Michael Jackson morreu. A ficha ainda não caiu direito. Foi o mesmo com o Ayrton Senna, os Mamonas Assassinas, a Cássia Eller. E, por que não dizer? Quando o Claudinho, parceiro do Buchecha morreu.

Eu tinha 13 anos quando Michael Jackson veio ao Brasil para a apresentação em São Paulo. Queria muito ter ido, mas não foi possível. As canções dele que mais gosto são “Smooth Criminal”, “Beat it” e “Billie Jean”.

Como era de se esperar, a mídia do mundo inteiro, em todos os seus canais, não terão outro assunto por algum tempo. Nos quadrinhos não poderia ser diferente. Soube pelo Universo HQ que Maurício de Souza também fará sua homenagem ao Rei do Pop. Os esboços da história, a ser publicada em setembro, já foram divulgados no Twitter do Maurício de Souza.

A história se passa no núcleo da turma do Penadinho, que está ansiosa pela chegada do ídolo. Eles se caracterizam como o cantor e dançam o Moonwalk alucinadamente. É quando chega Dona Morte… sozinha! Ao ser questionada sobre o paradeiro de Michael Jackson ela esclarece que os “artistas que chegam vão direto para “. Na transição de quadro vemos Michael Jackson, no Céu, de asas e auréola, ensinando o Moonwalk para uma legião de anjinhos.

Michael Jackson em Neverland II

Um pouco de senso crítico agora.

As crianças que são o público-alvo principal das revistas da Turma da Mônica não conhecem o Michael Jackson que as pessoas da geração 80 conheceram.

Para essas crianças, quando se fala em Michael Jackson, o que vem à mente é aquela figura bizarra, que sofreu sérias acusações de pedofilia (acusações, aliás, com indícios fortíssimos). Minha filha, por exemplo, quando era menorzinha, chorava de medo quando via o Michael na TV.

Eu acho que essa história é uma bola-fora do Maurício. Michael Jackson no Céu, dançando com um monte de “anjinhos”? Impossível não comparar com Neverland.

Aquele abraço!


Mutts, os vira-latas

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Junho e julho são dois meses de muitas comemorações na minha vida. Dia dos Namorados, Aniversário de Namoro (mesmo já estando casado), Aniversário da esposa e Aniversário da filha. Pena que eu só receba presente em duas dessas comemorações.

Um dos presentes que ganhei da minha mulher foi o primeiro livro das tirinhas de “Mutts, os Vira-Latas”, lançado pela Devir. Criada em 1994 por Patrick McDonnel, a tirinha tem como personagens principais o cãozinho Duque e o gatinho Chuchu (Earl e Mooch, no original). Mutts é publicada em mais de 700 jornais em 20 países, atingindo diariamente 180 milhões de pessoas.

Como todo bom cachorro, o Jack Russel terrier Duque adora estar junto e passear com seu dono, o solteirão Ozzie (que não lembra em nada o famoso roqueiro) e uiva de tristeza quando este se ausenta de casa. O gato Chuchu, por sua vez, não é tão meloso com os donos, o casal de idosos Millie e Frank, e adora quando fica sozinho pois fica com a casa inteira só para ele. Chuchu tem ceceio, o que o faz pronunciar as palavras de modo chiado (“xim”, para “sim”, por exemplo, apesar de no livro a grafia ser com “sh”, como em “shim”).

Mutts já ganhou vários prêmios dentro e fora dos Estados Unidos. Sua longevidade junto com o reconhecimento de que desfruta, torna ainda mais impressionante o fato de nenhum jornal no Brasil publicá-la.

O livro da Devir é prefaciado por ninguém menos que Charles Schulz (alguém já ouviu falar de Snoopy?), que descreve Mutts como uma das melhores tiras de quadrinhos de todos os tempos. Segundo Schulz, “é difícil de acreditar que, depois de 100 anos de quadrinhos, Patrick seria capaz de inventar um novo cachorrinho perfeito”.

Além de escrever Mutts, Patrick McDonnel também é autor de livros infantis e ativista dos direitos dos animais, principalmente campanhas pela adoção de animais de depósitos públicos. Inclusive, uma das histórias recorrentes nas tiras chama-se exatamente “Animal Shelter” (Abrigo Animal), que conta com a participação de um cãozinho que mora em um desses abrigos, e espera pelo dia em que será adotado por uma família que o ame. Ou seja, o cara é gente boa! :-)

O grande barato de Mutts é mesmo a inocência dos dois personagens principais. É uma leitura leve, que deixa um “gosto” bom na cabeça, que nem Macanudo e Bichinhos de Jardim. No meu caso a identificação é mais forte ainda pois tenho uma gatinha e uma cachorrinha em casa. Ao contrário de Duque e Chuchu, porém, elas não são amigas. Na verdade, a cachorra é louca para ser amiga da gata, mas a gata não quer muito papo (será porque a cachorra está sempre tentando cheirar seu traseiro? :-) ).

Mas, claro, nem tudo são rosas. Este é somente o primeiro volume de 25 já lançados, de acordo com a Wikipedia! Meu bolso que se prepare pois agora eu viciei!

Uma pequena amostra do humor de Mutts

Uma pequena amostra do humor de Mutts


Luluzinha Teen. Ou, como aproveitar uma onda.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Semana passada li que a Ediouro lançaria as aventuras da Turma da Luluzinha Teen. As histórias serão roteirizadas e desenhadas por artistas brasileiros da Labareda Design. Vejam a capa do número 1, que será lançado agora em junho.

Alvinho, Bolinha, Luluzinha, Glorinha e Aninha

Alvinho, Bolinha, Luluzinha, Glorinha e Aninha

Quase um ano após o lançamento da Turma da Mônica Jovem, sucesso inquestionável de vendas, o anúncio do lançamento é de um oportunismo gritante. Se fosse uma monografia de fim de curso seria imediatamente qualificado como plágio. Reparem que até o “Em estilo mangá”, no canto superior direito, foi copiado da Turma da Mônica. E o pior é que escolheram personagens com pouco apelo entre as crianças e pré-adolescentes de hoje. Minha menina tem 13 anos e nunca tinha ouvido falar da Luluzinha, cujos gibis estão fora das bancas desde 1996. Talvez fosse o caso de apresentar a turma clássica para a geração atual mas se fizessem isso perderiam a onda provocada pela Turma da Mônica Jovem.

Plágios à parte, também não gostei dos desenhos. Achei a Luluzinha muito diferente da original. Também não gostei do fato do Bolinha ter emagrecido pois os quilos extras eram a marca registrada dele. Mesmo o Cascão, que na versão adolescente passou a tomar banho, manteve as sujeirinhas nas bochechas e continua fedendo que nem um gambá depois de fazer atividades físicas.

A visão do Jean Okada para a Luluzinha e Bolinha teen é um milhão de vezes melhor. Além de manter os verdadeiros cachinhos da Lulu, ainda mantém os quilos do Bolinha (ou “Bolão” :-) ). Confiram abaixo:

Luluzinha, Bolinha e Carequinha by Jean Okada
Luluzinha, Bolinha e Carequinha by Jean Okada

Lembrando que a Ediouro é a mesma editora que deixou de publicar Spawn, Fábulas Pixel e Pixel Magazine sem dar nenhuma satisfação aos fãs.


Bichinhos de Jardim

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Pessoal, um blog que vale a pena conhecer. Bichinhos de Jardim é uma muito bem bolada criação da Clara Gomes, designer gráfica formada pela UFRJ. É impossível ler as tirinhas dos Bichinhos sem ao menos esboçar um sorriso. Além de extremamente divertidas elas ainda trazem um humor ácido que aprecio bastante (acidez essa quase sempre proporcionada pela minha favorita, a Joaninha).

Os Bichinhos são publicados na Tribuna de Petrópolis (cidade-natal da Clara) desde 2001 e na internet desde 2006.

bichinhos-de-jardim


Death Note

Domingo, 3 de Maio de 2009

No ano passado a JBC concluiu a publicação de Death Note, um dos melhores mangás que já tive a oportunidade de ler. A história, em 12 volumes, gira em torno de um caderno que tem o poder de causar a morte de qualquer um cujo nome seja escrito em suas páginas. Os Death Notes pertencem aos Shinigamis (“Deuses da Morte”), seres sobrenaturais que usam os cadernos para prolongar as próprias vidas às custas das vidas dos humanos.

A história começa quando um entediado Shinigami chamado Ryuk resolve abandonar um Death Note no mundo dos humanos. O caderno é encontrado pelo estudante Light Yagami, considerado o melhor aluno do país e dono de um raciocínio lógico e dedutivo sem precedentes. Light resolve usar o Death Note para matar todos os criminosos, abrindo caminho para uma nova era onde não haverá crimes nem assassinatos. Em todo o mundo, presidiários e criminosos cujos rostos e nomes foram expostos na mídia começam a morrer misteriosamente de ataque cardíaco (a causa mortis padrão do Death Note). Esse fato logo chama a atenção da opinião pública, que batiza o suposto assassino de Kira (da pronúncia japonesa para killer, assassino em inglês). Porém, o caso acaba despertando também o interesse do misterioso L, tido como o melhor detetive do mundo. A partir daí a história ganha contornos emocionantes, com o embate intelectual entre Kira e L.

Quando a primeira edição chegou às bancas eu andava desanimado com os mangás que eram publicados. Os que eu acompanhava ou haviam sido concluídos ou cancelados. Porém, Death Note me arrebatou de vez. Esperava ansioso pela nova edição e me revoltava quando acabava de lê-la pois os autores tinham o péssimo hábito de concluir o volume com uma mega-”deixa” para o volume seguinte. Dois amigos que nunca haviam lido um mangá na vida acabaram se interessando pela série, de tanto que eu comentava no trabalho. Compraram os mangás e também adoraram! :-) Um terceiro amigo preferiu assistir ao anime, e também adorou.

Death Note é um mangá que deve ser lido com calma e atenção pois nem sempre é fácil acompanhar o raciocínio dos dois protagonistas, Kira e L (na verdade, há momentos em que rola uma forçação de barra tremenda mas não deixe que isso comprometa a leitura). Várias vezes eu tive que voltar algumas páginas, ou até mesmo edições, para me certificar que as deduções faziam sentido.

Àqueles que tiverem a oportunidade de ler, recomendo fortemente.


Disney Brasil pela Editora Abril

Sábado, 2 de Maio de 2009

Outro dia fui à casa dos meus pais e trouxe umas revistas da Disney que ainda estavam lá e que escaparam da grande burrada que cometi quando era mais novo. Obviamente, dediquei um tempo a reler aquelas saudosas edições de Disney Especial, Grande Almanaque de Férias, Grande Almanaque de Natal e Anos Dourados do Pato Donald. Muitas histórias boas mas as melhores, sem falso ufanismo, eram aquelas criadas pelo Estúdio Disney da Editora Abril. Em uma época em que os desenhistas e argumentistas não eram creditados nas revistas, a única pista sobre o país de origem da história era o minúsculo código que se “escondia” na primeira página. Se começasse com “B”, batata! Era uma criação genuinamente brasileira.

O Estúdio Disney da Abril não só criou histórias memoráveis como também criou novos personagens para a Disney. Só para citar alguns: Firmina, Turma da Pata Lee, Morcego Verde, Anacozeca, Morcego Vermelho, Glória, Borboleta Púrpura, Pena Submarino, Pena Kid e Biquinho (cujo nome foi escolhido em concurso aberto aos leitores, que enviaram sugestões). Essas histórias se destacavam por terem um humor meio debochado, verde-e-amarelo de carteirinha como podemos ver abaixo:

post-estudio-abril

Depois do sucesso da coleção “O Melhor da Disney”, que reuniu toda obra do Mestre Carl Barks, a Abril poderia, sim, pensar com bastante carinho em lançar uma coleção nos mesmos moldes com todas as histórias produzidas pelo Estúdio Disney. De repente, quem sabe?, no estilo “omnibus” que as editoras americanas de super-heróis têm conseguido emplacar.

Fica a sugestão para a Abril.


Quando a coleção se torna insustentável: de doações à busca por um discípulo

Sexta-Feira, 10 de Abril de 2009

Não tenho mais espaço para guardar meus gibis. Essa é a verdade. Mesmo após mais de um ano desde que saí da casa dos meus pais, ainda não trouxe todas as revistas para meu novo apartamento porque simplesmente não há espaço! Já tentei anunciar as revistas na internet, mas só recebi resposta de curiosos e de sebos, que queriam pagar uma mixaria (R$ 0,50) por edição. Aos poucos fui percebendo que não conseguiria vendê-las. Havia me divertido muito com elas e não poderia trocá-las por qualquer dinheiro. Claro que elas tinham um preço, mas nunca encontrei ninguém disposto a pagar.

Diante de minha incapacidade de vender os gibis, resolvi doá-los para quem não tivesse condição de comprar nas bancas. Hoje em dia quadrinhos são um lazer caro e não é qualquer família que pode se dar ao luxo de comprar gibis para as crianças. Isso é algo muito cruel porque os gibis são uma excelente ferramenta para estimular nas crianças o hábito de ler.

O primeiro lote que separei para doação tinha mais ou menos 500 revistas, só com as revistas mensais da Marvel publicadas pela Editora Abril. A Biblioteca Central do Colégio Pedro II, Unidade São Cristóvão, onde estudei, foi escolhida como beneficiada. A diretora da biblioteca ficou muito feliz com a doação, ainda mais por vir de um ex-aluno (é fato que os ex-alunos de lá têm um caso de amor com o Colégio e eu não sou exceção). O Colégio Pedro II, apesar de tradicional e considerado um colégio público “de elite”, pelo fato da matrícula ser condicionada à aprovação em concurso público, tem um número considerável de alunos cujas famílias são muito carentes. Que aqueles gibis, que tão importantes me foram, possam ajudar de alguma forma o desenvolvimento desses alunos!

Um segundo lote, com mais ou menos 300 revistas, todas da Panini, doei para a Escola Municipal Moreira Franco, uma escola para crianças surdas, em Niterói, onde minha amiga Ana Paula leciona. A ideia da Aninha era usar os gibis durantes as aulas dela. Foi com muita alegria que pus todos os gibis no carro e parti de manhã para Niterói, mesmo sabendo que pegaria um engarrafamento monstruoso na volta. Missão cumprida!

Mas mesmo assim ainda sobraram pilhas e mais pilhas de revistas…

Eu gostaria mesmo era de encontrar uma pessoa a quem eu pudesse entregar todo o restante da coleção. Alguém que também fosse “viciado” como eu, mas que não pudesse arcar com os custos. Alguém que preservasse os gibis com o mesmo cuidado que eu. Em uma biblioteca os gibis atendem um número maior de pessoas, não há dúvida, mas é fato que muitas edições acabam depredadas, intencionalmente ou não. Em suma, gostaria de ter um discípulo que herdasse meu “legado”. E só eu sei como tem sido difícil encontrar um discípulo “digno”.

E enquanto isso, as pilhas de gibis vão crescendo (mais lentamente que no passado, é preciso dizer)…